Talvez ninguém procure o fundo de si mesmo
ou porque não existe ou porque é inacessivel
A palavra não revela apenas anuncia ou apenas pressente
um espaço sem caminho uma asa comprimida no mármore
Talvez nunca possamos colher mais do que uma simples erva
junto a um muro para preencher o vazio do dia
Assim poderemos esquecer que tudo é surdo
e ocupar um espaço que não pertence ao mundo
O mundo ignora-nos como se os seus caminhos não fossem para nós
mas o poema acaricia o rigor do solo
e alheia-se de tudo que não seja a carne íntima
do seu movimento entre raízes e antenas
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2.8.11
As coisas só na aparência têm limites
As coisas só na aparência têm limites
e cada uma é uma rede inextricável
e silenciosamente vertiginosa
mas nós temos necessidade de limites
e procuramos pela palavra e pelos gestos
rodeá-las de vagarosos contornos
para que se harmonizem com as nossas coordenadas
Todas as coisas estão presas embora se movam
obstinadamente no seu interior
e desejem encontrar uma saída
como se quisessem ser repatriadas
ou encontrar o seu próprio horizonte
e cada uma é uma rede inextricável
e silenciosamente vertiginosa
mas nós temos necessidade de limites
e procuramos pela palavra e pelos gestos
rodeá-las de vagarosos contornos
para que se harmonizem com as nossas coordenadas
Todas as coisas estão presas embora se movam
obstinadamente no seu interior
e desejem encontrar uma saída
como se quisessem ser repatriadas
ou encontrar o seu próprio horizonte
Todas as coisas têm um espaço mas quais os laços
Todas as coisas têm um espaço mas quais os laços
que as sustêm? Quando morremos
faltará entre elas algum nexo cintilará nelas alguma sombra
ou tornar-se-ão póstumas e arcaicas irrevogavelmente derradeiras?
Nós vemos as coisas e não sabemos o que são
porque mesmo ignorando-as nos são familiares
Vivemos no seu espaço que é mais nosso do que delas
mas não terão também elas o anseio de saírem do seu circulo tenso?
Escrevemos para criar um suporte na distancia
e não no espaço das coisas Quando detemos o olhar
num objecto às vezes dir-se-ia que nos pertence
e que nos oferece um momentâneo ponto de apoio
Mas escrever será mais do que estremecer num incessante apelo
para que as palavras movam a nossa ansiedade
e desloquem um pouco para o corpo dos nossos gestos
e sintamos o fremente simulacro da terra?
que as sustêm? Quando morremos
faltará entre elas algum nexo cintilará nelas alguma sombra
ou tornar-se-ão póstumas e arcaicas irrevogavelmente derradeiras?
Nós vemos as coisas e não sabemos o que são
porque mesmo ignorando-as nos são familiares
Vivemos no seu espaço que é mais nosso do que delas
mas não terão também elas o anseio de saírem do seu circulo tenso?
Escrevemos para criar um suporte na distancia
e não no espaço das coisas Quando detemos o olhar
num objecto às vezes dir-se-ia que nos pertence
e que nos oferece um momentâneo ponto de apoio
Mas escrever será mais do que estremecer num incessante apelo
para que as palavras movam a nossa ansiedade
e desloquem um pouco para o corpo dos nossos gestos
e sintamos o fremente simulacro da terra?
Escrevo para unir mas em cada sílaba separo
Escrevo para unir mas em cada sílaba separo
No fundo das palavras há talvez uma passagem
um rio subterrâneo Coloco uma palavra
sobre a página e tudo de súbito se move
mas não neste quarto onde tudo permanece imóvel
Que ignoradas luas presente cada verso
ou que violentas panteras o fazem estremecer!
Por vezes a palavra deslumbra-se
com uma mulher prodigiosamente nua
e por isso ela se entrega ao silêncio
não para desistir mas para respirar
Ningém pode suportar a maravilha
e se quer dizê-la é preciso fugir-lhe
para não ficar demasiado preso a ela
e poder amá-la na medida da distância
No fundo das palavras há talvez uma passagem
um rio subterrâneo Coloco uma palavra
sobre a página e tudo de súbito se move
mas não neste quarto onde tudo permanece imóvel
Que ignoradas luas presente cada verso
ou que violentas panteras o fazem estremecer!
Por vezes a palavra deslumbra-se
com uma mulher prodigiosamente nua
e por isso ela se entrega ao silêncio
não para desistir mas para respirar
Ningém pode suportar a maravilha
e se quer dizê-la é preciso fugir-lhe
para não ficar demasiado preso a ela
e poder amá-la na medida da distância
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