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3.9.10

Agrípia

Agrípia, foi a partir de ti que eu renasci
na luminosa corola de um sorriso
e os meus navios cinzentos e perdidos
seguiram a bondade do teu rumo.
Esta casa não seria a minha casa
se não fosse a tua branca arquitectura
e o teu hálito límpido que me guarda
nas suas tranquilas coordenadas.
Por ti o horizonte está em casa
e nele eu vivo contigo a ondulada
permanência da alma iluminada.

Cerealina

Quando o teu ventre era uma pátria
de cereal e uvas
e se ouvia a lentidão da chuva
sobre as tuas espáduas de basalto.
Quando alimentavas com pão verde
os espectros do vidro
e em teu redor esvoaçavam as aves
que vinham do mar e da montanha.
Quando eras a plenitude da argila
incendiada pelo verão,
todas as janelas estavam abertas, Cerealina,
para a juventude magnética do mar.

fotografia e selecção de poemas de João Silva