Ninguém me disse: Vai por este caminho de água
ou Segue esta vereda silenciosa
Eu vivia na obscuridade com uma lâmpada negra
e a tortura do infinito na minha cabeça esguia
Mas eu amava os muros com insectos e urtigas
e os campos de verdura leve e os límpidos regatos
Era um homem da terra que queria pertencer à terra
e consagrá-la numa relação viva e fértil
Eu queria construir com a matéria espessa
um edificio solar com amplas vidraças
e um terraço aberto à dinâmica languidez do mar
Não sei se o que fiz tem a solidez flexível
de um corpo vegetal mas com extensas pedras
Os que o habitarem talvez se deslumbrem com as claras planícies
e amem a tranquilidade misteriosa dos vales obscuros
Mas para mim não é mais que um amontoado de folhas
algumas verdes outras secas e todas o vento varrerá
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2.8.11
Ter a consciência do mistério é ter a consciência de um nada
Ter a consciência do mistério é ter a consciência de um nada
É como saber que Deus não lê os poemas que escrevo
ou como saber que os lê o que seria um mistério maior
A matéria do poema é a matéria da projecção de um para ser
que se desprende e da sua própria espessura
para dar forma a um frémito que não tem matéria alguma
Estas linhas são veias da livre fantasia
livre mas dirigida para o mesmo círculo branco
onde nunca poderiam formar o porte de um cavalo
ou se pudessem desviar-se-iam do seu alvo essencial
Se no intervalo das palavras se pode ouvir o silêncio dos campos
como se o poema fosse um harmónio côncavo
é a inversão do mundo num silêncio e não o mundo
e a atenção sem objecto entre o interior e o exterios do poema
Esta é a matéria do poema um nada que advém e faz advir
envolvendo o fogo no vagaroso veludo das palavras
É como saber que Deus não lê os poemas que escrevo
ou como saber que os lê o que seria um mistério maior
A matéria do poema é a matéria da projecção de um para ser
que se desprende e da sua própria espessura
para dar forma a um frémito que não tem matéria alguma
Estas linhas são veias da livre fantasia
livre mas dirigida para o mesmo círculo branco
onde nunca poderiam formar o porte de um cavalo
ou se pudessem desviar-se-iam do seu alvo essencial
Se no intervalo das palavras se pode ouvir o silêncio dos campos
como se o poema fosse um harmónio côncavo
é a inversão do mundo num silêncio e não o mundo
e a atenção sem objecto entre o interior e o exterios do poema
Esta é a matéria do poema um nada que advém e faz advir
envolvendo o fogo no vagaroso veludo das palavras
Se eu sou nada esse nada deseja
Se eu sou nada esse nada deseja
ser e só no amor encontra a consistência
que envolve o nada que o acolhe e o liberta
para ser oferenda a ti deus ignorado
O que eu sou é pouco para ti e é demais
e só o zero em mim é o teu círculo
e só no seu silêncio está o teu nome
Nada sabendo de ti sei que és o Simples
e se de ti não ouço o mais leve múrmurio
é porque tu habitas o silêncio de todos os silêncios
e é por esse silêncio que morro e ressuscito
ser e só no amor encontra a consistência
que envolve o nada que o acolhe e o liberta
para ser oferenda a ti deus ignorado
O que eu sou é pouco para ti e é demais
e só o zero em mim é o teu círculo
e só no seu silêncio está o teu nome
Nada sabendo de ti sei que és o Simples
e se de ti não ouço o mais leve múrmurio
é porque tu habitas o silêncio de todos os silêncios
e é por esse silêncio que morro e ressuscito
Deus vê talvez com as pálpebras descidas
Deus vê talvez com as pálpebras descidas
e assim vê o nosso espírito como um halo ténue
ou uma sombra que estremece mas contínuamente se levanta
É ele que sustenta a nossa integridade vertical
com a sua imóvel respiração incessante
Que dificil é ser o alvo desta atenção divina
como se fôssemos apenas o aro vazio de um puro abandono
Mas é nesta entrega passiva que nós somos
mais do que órfãos de uma útero materno
e nos erguemos à transparente pedra
da nossa renovada identidade
Só nesse cimo branco renascemos livres
porque nos entregamos à silenciosa respiração
do ser divino que atravessa o nosso sono
e faz resplandecer a nossa incerta ignorância
e assim vê o nosso espírito como um halo ténue
ou uma sombra que estremece mas contínuamente se levanta
É ele que sustenta a nossa integridade vertical
com a sua imóvel respiração incessante
Que dificil é ser o alvo desta atenção divina
como se fôssemos apenas o aro vazio de um puro abandono
Mas é nesta entrega passiva que nós somos
mais do que órfãos de uma útero materno
e nos erguemos à transparente pedra
da nossa renovada identidade
Só nesse cimo branco renascemos livres
porque nos entregamos à silenciosa respiração
do ser divino que atravessa o nosso sono
e faz resplandecer a nossa incerta ignorância
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