Já todos os meus gestos têm a geometria de um desenlace
e talvez a sua melodia mortal e indelével
Por isso envolvo-me na folhagem onde as cigarras cantam
como se a força do verão tivesse uma cúpula incandescente
Já não é tempo de sonhar não é tempo de guitarras
porque todas as guitarras são de erva
Que tempo é este então? Sinto a fúnebre dolência
das lâmpadas do tempo e das urtigas nas janelas
Poderá ser a palavra a sombra perfumada
do que ela não alcança o perfume da sua sombra?
Como vencer a dúvida suspensa na garganta?
Será que em nós desliza ainda o cisne imaculado do ser?
Ou já não temos outro espaço senão um círculo de pedras e de cinza
de onde já não se vêem as constelações melodiosas
nem o sussurro da monótona folhagem do mar?
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3.9.10
À minha primeira questão Quem sou eu?
À minha primeira questão Quem sou eu?
não posso responder mas ela inclina as minhas pobres lâmpadas
para o cerne obscuro de uma obscura folhagem
Se imagino que alguém poderá estar no silêncio
sinto que ele é um ser neutro e anónimo
muda testemunha ausente
e alheia ao que eu sou A um duplo de mim próprio
São os outros os amigos e amantes que me respondem
mas o que me dizem vai sempre além do que eu sou
e assim o espaço do que sou é um deserto
e vejo a minha figura como um espectro oscilante
Sou cada vez mais uma sombra um compartimento vazio
a indolência do ser o que não quero ser
os braços na cabeça um ovo frágil e cinzento
Ó preciosa fragilidade
do que poderia ser
se Deus me iluminasse com o seu hálito
e eu respirasse o silencio da sua face!
não posso responder mas ela inclina as minhas pobres lâmpadas
para o cerne obscuro de uma obscura folhagem
Se imagino que alguém poderá estar no silêncio
sinto que ele é um ser neutro e anónimo
muda testemunha ausente
e alheia ao que eu sou A um duplo de mim próprio
São os outros os amigos e amantes que me respondem
mas o que me dizem vai sempre além do que eu sou
e assim o espaço do que sou é um deserto
e vejo a minha figura como um espectro oscilante
Sou cada vez mais uma sombra um compartimento vazio
a indolência do ser o que não quero ser
os braços na cabeça um ovo frágil e cinzento
Ó preciosa fragilidade
do que poderia ser
se Deus me iluminasse com o seu hálito
e eu respirasse o silencio da sua face!
Quero ser outro e é outro que eu me vejo
Quero ser outro e é outro que eu me vejo
sentindo que sou eu sem saber quem sou eu
Escrever é sempre outra versão
de um texto que nunca se chegou a compor
Mas é igualmente a diversão
que nos faz vacilar entre o eu e um outro
sem necessitar de ser um ou outro
Há sempre quem procure saber quem é o autor de um texto
como para lhe pedir contas ou referências exactas
mas quem escreve desvia a trajectória paralela
para o ser que já sendo um outro
nunca o é o seu movimento para ele
Ninguém pode decidir Ele é um outro
porque ele é o processo de uma transformação
em que é uma invenção o reconhecimento
e que só é não sendo ou sendo um outro
sentindo que sou eu sem saber quem sou eu
Escrever é sempre outra versão
de um texto que nunca se chegou a compor
Mas é igualmente a diversão
que nos faz vacilar entre o eu e um outro
sem necessitar de ser um ou outro
Há sempre quem procure saber quem é o autor de um texto
como para lhe pedir contas ou referências exactas
mas quem escreve desvia a trajectória paralela
para o ser que já sendo um outro
nunca o é o seu movimento para ele
Ninguém pode decidir Ele é um outro
porque ele é o processo de uma transformação
em que é uma invenção o reconhecimento
e que só é não sendo ou sendo um outro
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