Uma linha apenas uma sinuosa linha
e eu veria o seio da pátria matrona adolescente
levantando o seu archote vermelho
ou o candelabro do seu antigo esplendor
Ela seria a soberana encarnação do meu desejo
e todos os seus talismãs afluiriam ao delta
da idealidade universal
Ouço o clamor das suas veias
que requerem a consciência como um astro de universo
as constelações dos homens que se levantam e propagam
as suas luzes de audácia e vigilância
Recordo os anos em que uma pata férrea
em vão quis tornar incomunicável o seu tumultuoso tronco
de primavera e ela comunicava através dos muros
cantando no suplício com lúcida paixão
e entre dois extremos foi a vibrante insurreição
florindo nas espingardas e nos rostos libertos
O que será ela hoje ou amanhã se a Europa trai
o seu ideal de paz e unidade
montada sobre o touro que tem o fogo nas ventas
e incendeia as torres da construção humana?
O perfil imortal desta pátria foi traçado
pela dilatação do seu pequeno reino
que como uma onda alastrou por esta estreita faixa
que veio a ter o nome de Portugal
mas a sua vocação de audácia aventureira
impulsionou-a para o mar para ilhas longínquas
para continentes ignorados e o seu volume cresceu
espalhado pelo mundo inteiro
Eu amo esta pátria que se projecta no futuro
porque ela não pode conter em si o ímpeto do seu génio
nem a maré em que lateja um novo mundo
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1.8.11
Pátria é uma palavra que podemos dizer
Pátria é uma palavra que podemos dizer
sem que a maioria do povo a reconheça
Ela não pertence ao léxico das palavras comuns
e se os políticos a referem é quase sempre com a violência
de uma retorica vã
Mas seja qual for a forma e substância dos seus símbolos
bronze ou pedra bandeira chama música ou palavra
nós sabemos que ela está viva e vitoriosa
sobre todos os obstáculos e desastres
grávida de um futuro de comum liberdade
Se a pátria é uma herança ela é também o espaço que está à nossa frente
em que temos de projectar as suas dinâmicas linhas
em que vibrará o ritmo do nosso sangue e da nossa respiração
porque ela será a realidade do que em nós é a irrealidade do nosso ideal
sem que a maioria do povo a reconheça
Ela não pertence ao léxico das palavras comuns
e se os políticos a referem é quase sempre com a violência
de uma retorica vã
Mas seja qual for a forma e substância dos seus símbolos
bronze ou pedra bandeira chama música ou palavra
nós sabemos que ela está viva e vitoriosa
sobre todos os obstáculos e desastres
grávida de um futuro de comum liberdade
Se a pátria é uma herança ela é também o espaço que está à nossa frente
em que temos de projectar as suas dinâmicas linhas
em que vibrará o ritmo do nosso sangue e da nossa respiração
porque ela será a realidade do que em nós é a irrealidade do nosso ideal
Chamo pátria de profundas veias
Chamo pátria de profundas veias
a essa relação viva entre os homens se ela houvesse
e não esta condição de anónima indiferença
e de vaga identidade flutuante
sem cúpula e sem os templos brancos
com jardins de um ócio voluptuoso
É por isso que estamos condenados
à solidão de não pertencermos à dilatada força
que constitui um universo e projecta um horizonte
de humanidade viva em floração unânime
Somos apenas cúmplices da nossa inabilidade
e dos ornamentos com que a revestimos
para parecer que somos e ser o que parecemos
Quem escreve procura abrir um espaço numa muralha
tão opaca mas tão vaga e cinzenta
que esse espaço imaginado de branca identidade
não é mais que um aceno à possivel liberdade
para além da sua gloria profanada
a essa relação viva entre os homens se ela houvesse
e não esta condição de anónima indiferença
e de vaga identidade flutuante
sem cúpula e sem os templos brancos
com jardins de um ócio voluptuoso
É por isso que estamos condenados
à solidão de não pertencermos à dilatada força
que constitui um universo e projecta um horizonte
de humanidade viva em floração unânime
Somos apenas cúmplices da nossa inabilidade
e dos ornamentos com que a revestimos
para parecer que somos e ser o que parecemos
Quem escreve procura abrir um espaço numa muralha
tão opaca mas tão vaga e cinzenta
que esse espaço imaginado de branca identidade
não é mais que um aceno à possivel liberdade
para além da sua gloria profanada
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