2.8.11

Talvez ninguém procure o fundo de si mesmo

Talvez ninguém procure o fundo de si mesmo
ou porque não existe ou porque é inacessivel
A palavra não revela apenas anuncia ou apenas pressente
um espaço sem caminho uma asa comprimida no mármore

Talvez nunca possamos colher mais do que uma simples erva
junto a um muro para preencher o vazio do dia
Assim poderemos esquecer que tudo é surdo
e ocupar um espaço que não pertence ao mundo

O mundo ignora-nos como se os seus caminhos não fossem para nós
mas o poema acaricia o rigor do solo
e alheia-se de tudo que não seja a carne íntima
do seu movimento entre raízes e antenas

Sem comentários:

fotografia e selecção de poemas de João Silva