Escrevo para unir mas em cada sílaba separo
No fundo das palavras há talvez uma passagem
um rio subterrâneo Coloco uma palavra
sobre a página e tudo de súbito se move
mas não neste quarto onde tudo permanece imóvel
Que ignoradas luas presente cada verso
ou que violentas panteras o fazem estremecer!
Por vezes a palavra deslumbra-se
com uma mulher prodigiosamente nua
e por isso ela se entrega ao silêncio
não para desistir mas para respirar
Ningém pode suportar a maravilha
e se quer dizê-la é preciso fugir-lhe
para não ficar demasiado preso a ela
e poder amá-la na medida da distância
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