24.8.08

Uma voz na pedra

Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha ebriedade é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que amo não sei. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.

1 comentário:

joseramos disse...

Creio na forca do poeta,
creio no seu ar, azul, de ceu,
na sua pena, que baixa ao simples olhar de um papel,
derrama a sua alma e a abre ao vento da imensidao.
Sinto o seu bafo quente e doce, perto de mim, em meu redor, trazendo-me novas que me fazem estremecer,
Sinto-te a ti, poeta, dentro de mim, porque me fazes ser...
somente ser...
somente ser...

Ola Joao, envio-te esta pequena ideia, das terras de sua magestade.
perdoa a sinalizacao ortografica mas o teclado e Ingles.
Sinto orgulho no que idealizaste.
espero por mais.
Um abraco grande aos dois,
Jose Ramos Perfeito
Swansea/UK

fotografia e selecção de poemas de João Silva