24.8.08

Amo o teu túmido candor de astro

Amo o teu túmido candor de astro
a tua pura integridade delicada
a tua permanente adolescência de segredo
a tua fragilidade sempre altiva

Por ti eu sou a leve segurança
de um peito que pulsa e canta a sua chama
que se levanta e inclina ao teu hábito de pássaro
ou à chuva das tuas pétalas de prata

Se guardo algum tesouro não o prendo
porque quero oferecer-te a paz de um sonho aberto
que dure e flua nas tuas veias lentas
e seja um perfume ou um beijo um suspiro solar

Ofereço-te esta frágil flor esta pedra de chuva
para que sintas a verde frescura
de um pomar de brancas cortesias
porque é por ti que vivo é por ti que nasço
porque amo o ouro vivo do teu rosto

1 comentário:

Carmen Cupido disse...

Quando procuro Antonio Ramos Rosa nunca é por azar. A sua poesia explode em mim como um fogo de artificio de palavras de todas as cores e tamanhos!!

Vim, li, emocionei-me; e na hora de partir, parto enriquecida!!

Um abraço a esse grande senhor

fotografia e selecção de poemas de João Silva