11.5.08

Ritmo do Ritmo

Era a mão que me conduzia por entre os troncos e as folhas.
(Como se houvesse um conhecimento do dia.)
Era a mão ou este olho oblongo correndo longo músculo.
Imersão horizontal oblíqua na claridade viva.
Todo eu sou esta mão ou este olho tenso liso correndo pela calçada.

Ó cúpulas! Oh céu suspenso!
Os pés bem firmes, marcho, plantando-me.
Sou uma árvore. Mil folhas tremem. O sol acompanha-me.
Seiva liberta ascendendo ao olhar, nas veias e nos pulsos.
Condutoras fibras, feixes, sílabas, passos, silêncio e canto.

Andar, glória única, com o sol, por entre as pedras gastas.
Deslizar como um gato sem me confundir, único, impalpável nada.

Ondulação, cadência, sorvo o sol com todo o rosto.
Dou a mão ao meu olhar, dou o corpo ao meu olhar.
Sou um ritmo único. Respiro. Recomeço.
O mais perto daqui. O mais perto de agora.

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fotografia e selecção de poemas de João Silva